04
set
2017
Cotações do trigo em Chicago voltaram a recuar durante a última semana

As cotações do trigo em Chicago voltaram a recuar durante a última semana, chegando a bater em US$ 4,00/bushel no dia 28/08, valor que não era visto desde o final de dezembro de 2016. Posteriormente, o mercado melhorou um pouco e o fechamento do dia 31/08, para o primeiro mês cotado, ficou em US$ 4,10/bushel. A média de agosto bateu em US$ 4,29/bushel, contra US$ 5,04 em julho.

Enquanto o mercado espera o relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o dia 12/09, o trigo foi puxado para baixo pelo comportamento ruim do milho e da soja em Chicago. Além disso, as exportações líquidas dos EUA, para o ano 2017/18, iniciado em 1º de junho, ficaram em apenas 386.400 toneladas na semana encerrada em 17/08. Tal volume ficou 11% abaixo da média das quatro semanas anteriores, sendo que Taiwan foi o principal comprador com 99.400 toneladas. O mercado esperava um volume entre 300.000 e 700.000 toneladas.

No Mercosul, a tonelada FOB para exportação recuou, ficando agora entre US$ 180,00 e US$ 210,00.

Já no Brasil os preços continuam baixos e o viés de novas baixas ainda se mantém, apesar de uma safra menor que começa a ser colhida pelo Paraná neste mês de setembro. A média gaúcha no balcão fechou a semana em R$ 31,28/saco (na semana passada a média havia sido de R$ 32,08/saco) enquanto os lotes oscilaram ao redor de R$ 36,00/saco. No Paraná os lotes ficaram entre R$ 39,00 e R$ 39,60/saco, com o balcão pagando ainda valores entre R$ 35,00 e R$ 36,50/saco. Já em Santa Catarina o balcão oscilou entre R$ 34,00 e R$ 36,00/saco, enquanto os lotes ficaram em R$ 37,20/saco na média semanal.

O mercado olha agora o início da colheita no Paraná, onde 2% da área já havia sido cortada até a semana anterior, sendo que 6% da produção esperada estaria comercializada. Todavia, a colheita apresenta perdas de qualidade, fato já esperado devido as fortes intempéries que se abateram durante o período de plantio e desenvolvimento da planta naquele Estado.

No Rio Grande do Sul, a colheita se dará apenas a partir do final de outubro e durante o mês de novembro, porém, igualmente existem grandes preocupações com as perdas de volume e qualidade já que as intempéries foram ainda mais intensas nestes últimos meses. Até a semana passada, 85% das lavouras estavam em fase de desenvolvimento vegetativo, 10% em floração e 5% em fase de enchimento de grãos, havendo um considerável atraso em relação à média dos últimos anos. Neste Estado a necessidade de chuvas mais constantes e volumosas continua sendo premente, fato que não tem ocorrido na medida esperada.

Dentro de tal cenário, o viés de baixa nos preços internos do trigo deve continuar, já que o produto a ser colhido tende a apresentar qualidade menor, ao mesmo tempo em que as importações continuam competitivas, graças ao recuo dos preços internacionais e ao Real que se mantém favorável às compras externas. Assim, o mercado interno deverá ser abastecido com um volume ainda maior de trigo importado neste próximo ano. Apenas o trigo de qualidade superior, que será mais escasso nesta safra, poderá encontrar preços um pouco mais interessantes do que os atualmente praticados, mas isso, por enquanto, está longe de ser uma certeza.

 

Fonte:
 

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