20
dez
2017
Com clima favorável, lavouras de soja de se desenvolvem bem em São Paulo e Minas Gerais

Os produtores praticamente concluíram o plantio da safra de soja 2017/2018. Ainda há algumas operações de finalização de plantio no Rio Grande do Sul e em alguns estados do Nordeste do Brasil, de acordo com levantamento da consultoria AgRural. De acordo com a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção de soja deve ser de 109.183,4 mil toneladas na safra 2017/2018, uma queda de 4,3% em comparação com a produção de 114.075,3 mil toneladas na temporada 2016/2017.

As lavouras estão se desenvolvendo bem na maioria das regiões produtoras. No estado do Paraná, o segundo maior produtor de soja, 88% das lavouras são consideradas boas e 12% têm nota “média”, de acordo com a pesquisa do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral). Outro exemplo é o bom desenvolvimento das lavouras no estado de São Paulo.

“Até o momento, o clima está favorecendo as lavouras em São Paulo. Visualmente, as lavouras estão até com um desenvolvimento melhor do que no ano passado. Tivemos chuvas na hora certa depois do plantio. Minas Gerais também está com uma situação muito boa”, afirma Raul Dorti, superintendente de grãos da cooperativa Coopercitrus. “Mas alta umidade e calor significam o clima propício para a proliferação de pragas e doenças, então o produtor precisa cuidar do manejo”, afirma.

A cooperativa atua em praticamente todo o estado de São Paulo e nas regiões Sudoeste, Sul e Cerrado de Minas Gerais. A Coopercitrus representa cerca 30 mil produtores associados que produzem cana-de-açúcar, soja, milho, café e criadores de gado bovino. As lavouras de soja dos associados da Coopercitrus totalizam área plantada de 1,2 milhão de hectares. “A área plantada com soja é maior nesta safra, mas a produção tende a ser menor. O mês de janeiro é o momento crucial para avaliar o enchimento dos grãos e estimar a produção”, afirma Dorti. 

Comercialização da soja

Em São Paulo e Minas Gerais a venda da soja está em ritmo lento. “O produtor está retraído nas vendas esperando preços melhores. Mas a gente orienta o produtor a vender os volumes necessários para pagar os custos de produção”, diz Dorti.

Para melhorar a gestão da produção de seus associados, a cooperativa firmou parcerias e investiu pesado em armazenagem. Em 2015, a capacidade dos silos da Coopercitrus somavam 14 mil toneladas. De lá para cá, a capacidade estática de armazenagem da cooperativa saltou para 270 mil toneladas de grãos. No entanto, a logística, não evoluiu muito. “O transporte está muito concentrado nas rodovias, isso é um problema para o Brasil”, diz Dorti. 

Produção de milho deve recuar

De acordo com o superintendente de grãos, um dos destaques da primeira safra 2017/2018 é que os produtores reduziram a área plantada de milho para cultivar mais soja. “Estamos prevendo um recuo entre 15 a 20% da área plantada com milho na primeira safra. Mas a safra de verão tradicionalmente sempre produz um volume menor de milho”, diz ele.

As previsões também podem indicar retração do mercado de milho na segunda safra. “A grande produção ocorre na segunda safra. Dependendo do preço do milho, existe a opção de o produtor plantar sorgo porque o custo de produção é menor”, afirma Dorti. Mas, até o momento, ele acredita que há condições favoráveis para a segunda safra. “Em média, o atraso do plantio da soja foi entre 15 e 20 dias. Isso não vai ser tão prejudicial para o cultivo do milho safrinha nas regiões onde atuamos.”

De acordo com a estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de milho na primeira safra vai cair 17,8%, de 30.462,0 mil toneladas (2016/2017) para 25.051,6 mil toneladas na primeira safra 2017/2018. A segunda safra de milho do Brasil (conhecida como “milho safrinha”), que será plantada a partir de fevereiro de 2018, tem estimativa de produção de 67.170,9 mil toneladas, um recuo de 0,3% se comparado com a colheita de 67.380,9 mil toneladas na segunda safra 2016/2017.

Previsão do tempo

A previsão do tempo indica chuvas irregulares e estresse hídrico em algumas regiões no Sul do Brasil, o que talvez possa reduzir a produtividade de lavouras de soja e de milho na primeira safra. Porém, de acordo com a previsão da Climatempo, a expectativa para janeiro é de chuvas acima da média na região Sul e chuvas dentro da média da região Centro-Oeste que devem favorecer a fase de enchimento dos grãos de soja.

 

Fonte: Sfagro

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